da rotina e metodicidade

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12:45
Foi numa tarde destoante que eu dissonei, sentado sozinho num banco qualquer na Redenção. Mais cedo, encontrei alguns amigos para almoçar pelo Centro - histórico ou não-histórico. De antemão ressalto: como é bom rever velhas amizades. E embora essas amizades fossem estritamente convencionais, uns estudos pra prova, um café pago sem pedir.. naquele contexto foram as afeições mais sinceras que colecionei. Mesmo que sem relações estreitas no passado, parece que minha empatia serviu de algo, enfim. O resto? O resto não importa.

A bem da verdade, quis fazer um texto pra ti, minha garota. Mas, desorganizado que sou, misturei as ideias todas de forma bizarra. E essa constatação só vem reforçar o que dissonei no famigerado banco do parque, eu não consigo mais escrever. De forma desinteressante, eu pontuo as minhas frases. Algo desligou em mim algumas semanas atrás. Será que eu sou o tipo triste de pseudo-escritor que só consegue se expressar em meio ao caos de sentimentos, com os conceitos dilacerados e por terra? Por favor, não.

Queria escrever algo que te enchesse a alma de certeza. E te explicasse que não precisas sentir medo, que eu estou do teu lado e merecemo-nos um ao outro. Que os teus passos tortos são iguais aos meus e, por causa disso, por mais tortos e descompassados que sejam, andamos iguais. Quero, ainda, escrever algo à tua altura, escrever poesia bonita pelos teus braços, pernas, peito e costas. 

Quero, ainda, escrever algo que justifique o motivo de eu estar do teu lado e de estender minha mão no vazio, esperando que a segure para caminharmos cegos pelo que a gente não entende, e nem precisa entender, apenas sentir. 

Embora dois errados não façam um certo, nesse caso nossas pontuações errôneas e sentimentos errôneos, nos tornam um só, unidos por algo que gostamos de descobrir, ora vagarosamente, ora fulminantemente. E que nos falte sistematicidade, nos falte o método e que mergulhemos no abismo desconexo que descontinuaremos, amorosamente abraçados num caos que nos encanta e nos prende.. um caos que bem se define em alegria, para não forçar situações e palavras não-ditas. Que nos faltem as vias de regra e o que é convencionado; desenharias um mundo louco ao meu lado?

Assim, enquanto dormes nos meus braços e busco me entender com as palavras, mexo nos teus cabelos e justifico-me nos teus beijos. 


Sobre o autor

Kauê Vargas Sitó, tenho 22 anos e sou natural de Alegrete-RS. Sou escritor, compositor, blogueiro, músico, pseuudoprogramador e entusiasta da web. Atualmente moro em Porto Alegre e estudo na UFRGS.

1 comentários:

Acho que tu deves sempre misturar as ideias todas dessa forma bizarra.